Blog criado com o intuito de compartilhar as novidades do dia-a-dia com amigos que estão longe, reduzindo assim consideravelmente o valor das minhas contas faraônicas telefônicas.





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Mundando de endereço

Agora estou aqui.

A parada é a seguinte: depois do último concurso que passei estou com dificuldade de conseguir uma desculpa pra fugir mudar de casa e já estou há mais de 3 meses morando no mesmo lugar (um récorde!). Como não consigo mudar de endereço físico, decidi mudar de endereço virtual. A desculpa que arrumei pra isso? Inspirada na Amy Winehouse: a UOL está infestada de demônios...

Vai lá ver meu blog novo!



- Postado por: Penny às 19h50
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Sobre o dom de nomear...

Hoje eu fui obrigada a relevar o ódio que senti por meu irmão quando ele resolveu autoritariamente tentar re-batizar Ringo, meu novo cãozinho, de Meu Nome Não É Johnny. Estava fazendo minha viagem diária de volta do trabalho e o cobrador do ônibus resolveu mandar aquele papo firmeza pra cima de mim. Depois de tentar me convidar para os programas mais inusitados, incluindo um show gospel e um parque aquático (alguém aí consegue me imaginar em alguma das duas situações??? Por favor, não imaginem!), ele decidiu que era hora de nos apresentarmos e perguntou meu nome:
_ Penny
_ "Johnny", muito prazer!
"Heim? Será que eu ouvi certo? Não pode ser!"
E não era. Era pior. Olhei para o crachá pendurado na camisa e estava escrito com todas as (surpreendentes) letras:

DIONY

É... vou dar um desconto pro meu irmão... ele nem se saiu tão mal assim...



- Postado por: Penny às 19h33
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Tem coisas que só Cachoeiro faz por você...

Há uns anos atrás, quando eu estava na universidade (Puxa! Eu não to mais na universidade? E já faz até alguns anos?), a gente tava discutindo numa aula sobre DST's, Aids, ética, direitos e outras futilidades, aí a professora comentou que o Ministério da Saúde tinha lançado um adesivo super-bacana. Era um adesivo com o fundo transparente que tinha escrito em letras garrafais e amigáveis: "ESTA É A ÚNICA PESSOA QUE PODE OBRIGAR VOCÊ A FAZER UM EXAME DE AIDS". A intenção era que o adesivo (repito: com o fundo transparente) fosse colado em um espelho, para que a pessoa lesse isso vendo seu reflexo no fundo. Bacana a idéia. Hoje eu fui ao Centro de Saúde de Cachoeiro pegar um laudo admissional para meu mais novo futuro emprego (Vocês devem estar pensando: "outro emprego??? Essa mulher não pára nunca?". Eu também estou pensando isso) e vi que eles tiveram a idéia, também super-bacana, de colar esse adesivo no vidro da recepção; aquele vidro, também transparente, que separa a pessoa que vem pedir informação da funcionária carrancuda, mal-humorada e assustadora que te olha torto do outro lado. Isso é o que eu chamo de re-significação.

- Postado por: Penny às 18h01
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Tum-tum, tum-tum, tum-tum

Não aguentava mais aquele batuque. Tentava não prestar atenção nele, mas era impossível. Ele não deveria me incomodar mais, já era pra ter passado, como um trio-elétrico que fecha o trânsito, faz uma barulheira do cacete, enche o saco e vai passando devagar. Mas esse não passava, nem devagar. Permanecia há meses no mesmo lugar. Eu dormia e acordava ao som dele todos os dias. Tudo o que tentei para silenciá-lo foi em vão e continuava dia após dia carregando, pra onde quer que eu fosse, o Olodum inteiro dentro do meu peito e com o Carlinhos Brown na frente agitando a galera.
Precisava sair para fugir daquele som. Precisava ir a algum lugar muito barulhento, onde não pudesse mais ouvi-lo. Precisava abafá-lo de alguma forma, mesmo que fosse só por alguns instantes.
Como minha sensação era a de estar atolada em uma situação, decidi ir para a Lama, pra dar sentido semântico ao que estava vivendo. Vesti uma capa de botijão de gás feita de retalhos, que combinava perfeitamente com minha auto-estima, e saí dando uma de doida para me embrenhar na Lama.
Sentei-me no Cochicho, pois o meu modelito, que seguia a tendência do reaproveitamento, fazia eu parecer uma pessoa com consciência ecológica, logo, naquele dia eu era alguém que frequentava o Cochicho e não o Abertura. Achei por um instante que tudo ficaria bem, mas o maldito batuque me acompanhou até lá e Carlinhos Brown, como bom brasileiro que é, parecia não desistir nunca.
Todos os ruídos, copos quebrando, gritos, gargalhadas e lamúrias que preenchiam o ambiente só faziam a batucada aumentar. Escutei todas as coisas que não queria ouvir. No início achei que estivesse com raiva, mas na verdade estava morrendo de medo, como aqueles cachorrinhos idiotas que latem pra qualquer estranho, mas ao menor sinal de aproximação saem correndo e gritando com o rabinho entre as pernas. Quando achei que iria rosnar, morder, lá estava eu encolhida no chão e gritando de medo. Um medo tão infantil que nem conseguia colocá-lo em palavras.
Não queria ouvir, furaria meus tímpanos se achasse que funcionaria, mas não era o tipo de coisa que se escuta só com os ouvidos. Queria continuar na confortável ignorância, sem saber. Não precisava saber. Queria que naquele momento Carlinhos Brown fosse substituído pela Ivete Sangalo cantando "Então não me conte seus problemaaaaaaaa aah aaaaaas!", mas Ivete parecia estar ocupada cantando em alguma outra micareta.
Uma amiga me convidou para dar uma volta no quarteirão. Acompanhei-a, certa de que desfilar daquele jeito só pioraria as coisas, mas é como diz o ditado: "tá na Lama é pra se sujar".
Fui me arrastando pesarosamente, sentindo que não havia lugar pra mim no mundo, que não havia sentido em minha vida. Foi então que lembrei de todas as baboseiras que escutei a respeito de otimismo, lei da atração, força do pensamento, essas coisas, e de todas aquelas pessoas que ganham rios de dinheiro pra dizer que é só pensar no que você quer e acreditar que vai conseguir, e tudo acontece em um passe de mágica. Me peguei pensando que se todas essas pessoas estivessem certas, era só eu acreditar que naquela noite encontraria o meu lugar no mundo, que encontraria um sentido para minha vida, e a força do meu pensamento faria isso acontecer. Me senti imediatamente uma completa idiota com esse raciocínio e, por isso mesmo, decidi que era uma ótima idéia.
Comecei então a me concentrar no que queria. Fui passando por todas aquelas pessoas com consciência social que bebem no Cochicho e em seguida por todas aquelas pessoas com consciência... whatever... que bebem no Abertura e sentia que estava cada vez mais perto do que procurava. O tambor foi aumentando o ritmo e o volume a cada passo que eu dava e já não o achava mais insuportável. O tum tum tum cada vez mais forte dava aquela clima de suspense de filme, que indica que algo grandioso vai acontecer na sequência. Estava preparada para esse momento grandioso! O momento em que encontraria um sentido para minha vida, o meu lugar no mundo! Tinha certeza de que o encontraria ao virar naquela esquina. Sentia que ele estava lá, e eu estava quase lá. Respirei fundo, fechei os olhos, dei mais um passo e virei-me para a esquerda na certeza de que, ao levantar novamente as pálpebras, estaria de frente para a solução de todos os meus problemas e, ao finalmente abrir os olhos... deparei-me com um caminhão de lixo.
Deparei-me também com uma vontade incontrolável de me jogar dentro dele.

- Postado por: Penny às 19h02
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Amor Fraterno

Há uns dois meses atrás:
_ Maninho, você tem o costume de ler blogs?
_ Penny, a inútil da casa é você. Eu tenho mais o que fazer.
_ Ok, vou me lembrar disso...

Essa semana meu querido hermano veio pedir minha ajuda quase que educadamente e, como comportamentos quase educados emitidos por ele ocorrem com a mesma frequência que pingüins nadando na Baía de Vitória, resolvi reforçá-lo, ajudando-o prontamente e com toda a disposição do mundo, na esperança de que os pingüins pudessem começar a visitar os capixabas de vez em quando.
Ele queria que eu comprasse uma calculadora científica com a minha conta do Mercado Livre pra ele, pois estava com preguiça de abrir uma (na verdade eu duvido que ele sequer saiba como fazer isso...). Escolheu uma calculadora que, na página de venda, além das informações sobre o produto, estava escrito em letras garrafais e amigáveis:

"Atenção! Só dê o lance se for realmente comprar, pois o Mercado Livre nos cobra comissão mesmo quando a venda não é efetivada."

Depois de dar o lance com o consentimento dele, eu, que sou uma pessoa muito gente fina, solícita e tudo mais, dei a senha do meu e-mail (sim! Eu dei até a maldita senha do meu e-mail!) pra criatura imprimir o boleto no trabalho dele, pois estamos sem impressora em casa.
No dia seguinte:
_ E aí? Conseguiu imprimir o boleto?
_ Não. Não vou comprar mais pelo Mercado Livre não.
_ Renan*... você JÁ COMPROU pelo Mercado Livre.
_ Comprei nada! Eu não paguei ainda!
_ Renan... você fez a compra ontem comigo... NO MEU NOME!!! SE VOCÊ NÃO PAGAR, VAI QUEIMAR O MÉÉÉÉÉÉÉÉÉU NOME LÁÁÁÁÁ!
_ Oh! Tá com raiva? Vai morder o pé da mesa!
_ &*%¨$¨#@$%$#¨%$¨$#$@#@&*&%¨$¨%&¨*&%!!!!!!!

#TUM! SOC! POW! PAFT!#

_ &*%¨$¨#@$%$#¨%$¨$#$@#@&*&%¨$¨%&¨*&%!!!!!!!

E foi assim que eu decidi morar em Marataízes... e ai do pingüim desavisado que ousar aparecer pelas águas de lá!
Aceito sugestões de como proceder com aquela criatura agradável que, dizem, nasceu da memsa barriga que eu.

*Alguns nomes não foram alterados, pois não tenho um pingo de interesse em preservar a identidade dessas pessoas.



- Postado por: Penny às 19h14
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Minha mãe entrou aqui no Blog esses dias e depois veio me pedir encarecidamente que eu o configurasse como privada privado. Ela tem vergonha de mim... Eu não!

- Postado por: Penny às 12h52
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O mundo é uma roda gigante que dá muitas voltas, mas de forma imprevisível e desordenada

Fui viajar de buzão, trajeto vix-caxu, na poltrona 35, porque o Tatá me explicou que a poltrona 35 tem espaço extra, embora a única vez que eu tenha visto esse espaço extra foi quando eu viajei com Tatá. O estado em que me encontrava era o mais deplorável a que uma mulher pode chegar. Meu cabelo, que dias antes tinha sido impiedosamente atacado por Ringo, o cão tricotilomaníaco, e até hoje não foi consertado, estava laçando a moda do penteado "to chegando de moto". O penteado consiste em fazer parecer que você deu 5 voltas na montanha-russa do Playcenter com o cabelo solto e molhado.
Estava gripada e com olheiras terríveis que faziam com que me parecesse com alguém que passou a noite anterior inteira acordada, chorando, espirrando e com uma dor de cabeça pós-pé-na-bunda insuportável, porque foi exatamente assim que eu passei a noite anterior.
Meu nariz escorria mais que o vazamento da pia da minha ex-"casa" de Prado. Estava lutando desesperadamente com um pedaço de papel higiênico úmido e esfarelado para que não surgissem duas estalactites em minhas narinas e aguardando ansiosamente que o cobrador passasse conferindo as passagens, para que eu pudesse usar a minha no lugar do que tinha restado do papel higiênico.
Entra um cara no ônibus procurando sua poltrona com a passagem na mão e, não mais que de repente, pára estático, olhando em minha direção com a boca aberta, os olhos esbugalhados querendo saltar das órbitas e uma expressão de quem estava vendo o fantasma do John Lennon pelado e tocando piano, ou tocando uma gaita de foles, ou tocando... yeah whatever. Achei que pudesse ter sentado na poltrona errada e perguntei:
_ 35?
Ele respondeu, ainda vendo o John Lennon:
_Não... 29...
Eu queria ter dito "Não... 42!" logo em seguida, mas julguei que ele não entenderia.
Depois de alguns instantes ainda estático, ele decidiu sentar-se, mas, de alguma forma, John ainda parecia estar ali... Fiquei intrigada ao perceber que ele olhava pra frente, olhava pra mim (ou para John), olhava pra frente, olhava pra mim, e comecei a achar que devia ter algo muito errado (mais errado que tudo o que já descrevi acima) comigo, porque naquele estado, bonita é que ele não estava me achando. Imaginei que eu pudesse estar com uma grande meleca verde-catarro grudada na testa. Não estava. Imaginei que ele pudesse ser um maniaco-psicopata-assassino-doido-tarado-serial-killer-americano, porque o rosto dele começava a parecer familiar e eu poderia já tê-lo visto em uma página policial, mas de certa forma todos os rostos são familiares em ônibus de Vitória pra Cachoeiro. Comecei a imaginar que ele pudesse ser um... mas não cheguei a pensar em "um o quê?", pois meus pensamentos foram interrompidos por uma pergunta:
_ Seu nome é Penny, né?
_ Sim.
_ Lembra de mim?
_ Não.
_ Sou eu! Penno*
(gostei dessa coisa de inventar nomes pra preservar a identidade das pessoas) _ Gostaria de dizer que esta informação não adiantava muita coisa, em vista da grande quantidade de pessoas com esse nome que eu já conheci, mas antes de dizer, olhei mais atentamente e vi, escondido em algum lugar naquela fisionomia, resquicios de um cara muito retardado que eu meio que acidentalmente, beijei quando tinha uns 13 anos.
_ Ah! Penno Tombalatão*!
_ Isso! Puxa, você nem me reconheceu, né?
_ É, faz muito tempo...
_ Sem entender como ele queria que eu o reconhecesse bem vestido e uns 20Kg mais gordo _ Mas então? Indo pra Caxu, né?
_ Ah é... to indo visitar meu pai. Faz um tempinho que não vejo ele, sabe? Eu to morando longe... em Porto Alegre...
_ Heim????
_ Achando que tinha escutado errado
_ Em Porto Alegre.
_ Porto Alegre?... Rio Grande?...
_ Roxa de inveja.
_ É. Tô trabalhando no Grêmio.
_ Heim????? Grêmio??? Você quer dizer... o time?
_ Ainda mais roxa! Pra quem não sabe eu sou gremista.
_ É. trabalho com futebol.
Depois de algumas horas conversando, cada vez mais perplexa, com uma informação inacreditável depois da outra, descobri que aquela topera que conheci anos atrás, que não queria nada com a vida, desacreditado por todos, inclusive por mim, além de morar na cidade que eu amo, hoje ganha cerca de 5 vezes o meu salário e já fez quase todas as coisas que eu queria fazer na vida, inclusive escrever um livro. Como aquela anta quadrada conseguiu escrever um livro e eu não consigo escrever nem um blog caça-níquel?? Me consolei um pouco pensando que a Bruna Surfistinha também escreveu um livro, que isso não quer dizer muita cosa e que o livro dele também deve ser uma bosta.
Mas enfim, escrevi isso tudo só pra dizer que, se você que está lendo isso tem 13 anos, lembre-se de que aquele mané que você beijou na festinha da sua colega de classe, pode virar um partidão daqui uns tempos, e que vocês podem se encontrar em uma situação nada favorável pra você. Trate-o bem.

* Alguns nomes foram alterados para preservar a identidade das pessoas.



- Postado por: Penny às 12h04
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Satisfação profissional...

É quando você descobre no seu novo emprego que o relatório do ano anterior não foi entregue, que todos os dados deixados pela pessoa que ocupava o seu cargo são incoerentes e que os números dos documentos estatísticos seguem as leis da bistromática, comportando-se como se estivessem em um bloquinho de anotações na mão de um garçon da Rua da Lama.

- Postado por: Penny às 19h10
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Falando em local de trabalho...

Fui chamada para uma entrevista de emprego e me encaminhei feliz da vida ao local da tal "entrevista de perfil", mais ou menos há uma semana atrás. Chegando lá, uma mocinha me atendeu me entregando uma folha A4 para eu preencher e me deixou sozinha com as instruções de preencher um lado antes do outro.
Preenchi a tal folha com meus dados no cabeçalho e marquei vários quadrinhos que continham características que eu supostamente tenho, tipo "alegre", "bem humorada", "limpinha", essas coisas. Achei divertidíssimo! Parecia teste de revista feminina! Só deixei de achar divertido quando a mocinha voltou e, ao ver que eu tinha terminado, simplesmente perguntou pra quando eu "gostaria de marcar a devolutiva". Tipo... era só isso a tal da "entrevista de perfil"? Onde ficava a parte da entrevista nisso?
Voltei pra casa com a certeza de que tinha feito o maior papel de idiota de todos os empregos que já tentei. No dia seguinte fui pra devolutiva me sentindo ainda mais idiota. A psicóloga de Recursos Humanos da organização me recebeu entregando duas folhinhas A4 digitadas em Times tamanho 11, que supostamente destrinchavam minha alma. Quando comecei a ler tive a mais absoluta certeza de que os únicos dados utilizados por ela da maldita folhinha que eu preenchi foram os referentes a sexo e data de nascimento. De posse dessas duas únicas informações, a psicóloga certamente entrou no Google e digitou as palavras "mulher de libra", encontrando este site, de onde tirou todas as informações para redigir aquele relatório de perfil profissional.
Ela fez alguns comentários sobre o que o oráculo Google deve ter dito ao meu respeito, inclusive o de que eu falo demais sobre tudo, mas não falo nada sobre mim. Deu vontade de dizer: "Não minha senhora! A senhora está enganada! Na verdade minha vida é um blog aberto!", mas o comentário mais legal foi:
_ Você já deve ter ouvido alguma vez na sua vida pelo menos, alguém te dizer que você é indecisa. Nunca deixe alguém falar isso de você! Você não é indecisa, você só precisa de um tempo maior que as outras pessoas pra tomar qualquer decisão!
_ Ah! Claro! (morrendo de rir) Sempre digo isso pras pessoas!
Fantástico! Esse dia serviu para refrescar em minha memória os motivos que fizeram eu escolher não trabalhar com RH.
Hoje a mocinha me ligou de lá dizendo que selecionaram outra pessoa. Acho que vou assistir o Rocky Balboa de novo pra levantar minha moral antes de dormir e das uns socos no meu irmão pra ver se depois eu consigo dizer: "The beasts are gone!"



- Postado por: Penny às 20h40
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Você sabe que privacidade é importante quando vai ao banheiro  do seu novo local de trabalho, e descobre, em um momento crucial, que a janela (que não é pouco grande) foi estrategicamente posicionada num ângulo calculado com precisão de 10 casas decimais para que você e o cara da varanda da casa da frente, quando sentados, pudessem se observar mutuamente por inteiro.

- Postado por: Penny às 20h13
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Tyson* diz:
 oie!

Penny diz:
 oi!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
 (na verdade, o número exagerado de exclamações deveria ser substituído por um número exagerado de interrogações, vide a surpresa gerada pelo aparecimento desta janela de bate-papo na minha tela)

Tyson diz:
 como vc está?

Penny diz:
 To bem!!! (Muito, mas muito bem nesse momento! Quase surtando de alegria!)

Penny diz:
 :D (O sorriso estampado no meu rosto era bem maior que esse!)

Penny diz:
 E vc? (pensando no quanto eu gostaria de ler "to bem, mas estaria melhor se estivesse com vc!" como resposta)

Tyson diz:
 to bem tb!

Tyson diz:
 lembrei de vc esses dias...

Penny diz:
 É mesmo? (dando saltos até o teto de felicidade!!!! Já tinha até incluído ele de volta na minha lista de contatos achando que o mundo voltaria a ser bom!)

Tyson diz:
 Sim! Tem uma amiga minha que foi morar na mesma cidade que vc... ela tá se sentindo meio sozinha aí...

Penny diz:
 hum... (caindo lentamente do teto de volta para a cadeira e sentindo um enorme vazio com o súbito desaparecimento da felicidade que antes me preenchia...)

Tyson diz:
 eu disse pra ela que tem uma grande amiga minha morando aí tb!

Penny diz:
 legal! (quase tendo uma parada cardíaca com o choque de realidade provocado pelas palavras "grande amiga")

Tyson diz:
 posso pedir pra ela te mandar um scrap?

Penny diz:
 claro!!!!!! (me sentindo a mulher mais imbecil do mundo e deletando-o novamente da minha lista de contatos, antes de ir pra cama passar mais uma noite com dor de cabeça e sem dormir)

* Alguns nomes foram alterados para preservar a identidade das pessoas.



- Postado por: Penny às 20h08
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Meu nome não é Johnny

Não, não vou falar do filme. Nem vi esse filme ainda. Vou falar do dia em que meu pai, em uma de suas demonstrações de ética, responsabilidade e bla bla bla, trouxe um viralatinha que mais parecia um rato malhado e sem rabo, para o seio do nosso lar.
Escolhi o nome Ringo para batizá-lo logo que chegou, mas lembrei que meu irmão, apesar de ser esquisito e rabugento, também faz parte da família e deveria ser consultado em relação ao nome. Quando ele chegou, propus uma reunião para discurtirmos a situação do cão e aprovarmos democraticamente o nome. Só não contava que naquele dia teria futebol na tv.
_ Mas então, aproveitando que estamos todos em casa...
_ SSSSSSSHHHHH!
_ ... a gente pode sentar pra discutir...
_ SSSSSSSHHHHH!
_ ...como vamos criar esse cachorro...
_ CALA A BOCA!
_ ... como eu já disse, eu escolhi o nome Ringo, mas...
_ QUIETA!
_ ... eu queria saber se todos concordam ou se querem propor um outro nome...
_ PORRA! CALA A BOCA!
_ pra gente fazer uma votação...
_ É RINGO MESMO, AGORA CALA A BOCA!
Tirando o fato de que quando minha mãe vai chamar o cachorro ela lembra de Paul, John, George, Lucy in the Sky e Yoko antes de lembrar de Ringo, parecíamos todos satisfeitos. Alguns dias depois, eu viajei e quando voltei, descobri que meu irmão, filho do meu pai, e por isso muito ético responsável e tudo mais, levou o cachorro pra vacinar e o trouxe de volta com outro nome registrado no cartão de vacina... sim... ele trocou o nome para (argh!!) Johnny.
Meus pais que, como dá pra perceber, têm muito talento pra essa coisa de educar filhos, confessaram que não gostaram de Johnny, mas deixaram passar a falta de respeito aceitando o argumento de que quem sempre escolheu os nomes de todos os cachorros da família fui eu. Mas é claro que comigo essa não colou.
_ POR QUE É SEMPRE VOCÊ QUE TEM QUE ESCOLHER TUDO NESSA CASA?
_ AH... DEIXA EU VER... QUAL É MESMO O NOME QUE VOCÊ QUER COLOCAR NELE?
_ JOHNNY!
_ ISSO EXPLICA, NÉ?
O resultado do quebra-pau faraônico que se sucedeu, que deixaria até a platéia do Programa do Ratinho desconcertada, foi que, para mostrar pra todo mundo que essa é uma família muito unida e que toma decisões com muito diálogo, Ringo agora tem quatro nomes, um pra cada pata! E um pra cada homo non sapiens dessa casa. É claro que ele não atende pode nenhum deles... To pensando em levar todo mundo pra resolver esse caso de família com ajuda da Márcia Goldschmidt.

- Postado por: Penny às 20h38
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Pensamento do dia

"Blogueiro é aquele que passa a manhã inteira sem fazer nada e à tarde escreve sobre o que fez pela manhã." - Pit Thompson, poeta brasileira.

- Postado por: Penny às 16h39
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Across the Universe - Filme

Lindo! Um ator com jeitão de Paul, interpretando um inglês que se apaixona por uma americana, interpretada por uma atriz com jeitão de Linda (gostei, até porque acho que ia ficar batido e babaca demais colocar um casal Yoko-John). Logicamente um romance desses tem que se passar nos anos 60, com direito a movimento hippie, psicodelismo e muita, muita música dos Beatles. Parece que o filme estreiou já faz um tempinho, mas só entrou no Cine Metrópolis agora, e como eu não sou antenada, só fiquei sabendo da existencia dele depois disso. Se você não conhece/curte Beatles, vá pra rir do Bono Vox psicodélico (muito bom!). Se você não conhece/curte Bono Vox e não tá afim de ver ele psicodélico, vá pra ver o filme que é lindo mesmo. Se vc não curte Beatles, Bono e nem filmes lindos, então vá se f****!



- Postado por: Penny às 19h23
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Eclipse

"(...) and everything under the sun is in tune
But the sun is eclipsed by the moon"

Pink Floyd é tão bom que chega dói! Mas ok, o eclipse de ontem era lunar, não solar. Eu, que sou pobre e desempregada, peguei meu colchonete e fui na laji lá de casa pra ver the dark side of the moon e lembrei do ladrão que me privou de escutar um dos meus discos favoritos nesse momento quando roubou meu mp3 semanas atrás. Também me arrependi amargamente de ter jogado fora em meu último surto de raiva, a luneta de pvc que fiz artesanalmente para observar a Lua quando adolescente. Aí lembrei-me do telescópio novo de um amigo, que não é pobre e nem está desempregado, e me desarrependi imediatamente com a certeza de que minha luneta não merecia mais que o lixo.
Mas então comecei a observar um dos fenômenos astronômicos mais inspiradores para viagens mentais pensando em quantas fantasias ele já teria provocado nas pessoas até hoje. Como é assustadoramente tocante observar a Lua como se ela estivesse passando por todas as fases que normalmente demora 28 dias para passar (exatamente o mesmo tempo do ciclo feminino mensal) de uma só vez! É como observar uma mulher indo da sensação de plenitude à obscuridade da TPM e voltando à plenitude em um instante! A coroação do ciclo de vida-morte-vida que nos mostra que tudo é transitório, tanto a luz quanto a escuridão. Tudo isso me parecia claro ao presenciar esse fenômeno onde a Lua é lentamente encoberta por uma sombra, que é lentamente encoberta por um amontoado de pêlos fedorentos...
_ PORRA RINGO! SAI! (som de tapa - cachorro voando)
E à medida que isso acontecia, as estrelas se destacavam ainda mais na via láctea (sempre me perguntei se esse nome tinha algo a ver com leite...). Era como se pudesse ouvir o som das estrelas junto à todos os outros sons que me cercavam. Os morcegos voando, os grilos cantando, a brisa soprando suavemente, o cara desafinado cantando com um violão... tá, abstrai o cara desafinado... a brisa soprando suavemente, a respiração ofegante e molhada na minha orelha...
_ PORRA RINGO! SAI! (som de tapa - cachorro voando)
E no momento em que me dava conta de todos esses eventos, da imensidão de tudo o que nos cerca, tive um vislumbre da dimensão do Universo! Essa assustadora e incomensurável dimensão que faz com que todos os nossos questionamentos, problemas, enfim, toda a nossa vida, pareça insignificante. Mas ao mesmo tempo essa dimensão nos dá a sensação de sermos importantes por saber que fazemos parte de algo tão grandioso, magnífico, colossal e estupidamente gigante. Consegui sentir a força de fazer parte de tudo isso. A força de pertencer a algo que não se pode medir. Sentia essa força em meu corpo, agindo em mim. Sentia ela puxando meus cabelos e balançando-os freneticamente de um lado para o outro enquanto rosnava...
_ PORRA RINGO! MEU CABELO NÃO! (som de tapa - cachorro voando)
E essa força me preenchia, fazia eu perceber que não estou sozinha e que se minha existência está intrinsecamente ligada à existência do Universo, a existência do Universo também está intrinsecamente ligada à minha. Era quase uma sensação de onipotência. Sentia que sendo tão importante para algo da dimensão do Universo e o Universo sendo tão imensamente maior que todos os meus questionamentos e problemas, não existiam mais questionamentos ou problemas. Percebi que na verdade posso fazer o que quiser! Resolvi chamar isso de liberdade... ah... podia sentir o cheiro da liberdade... era forte como cheiro de urina quentinha recém-derramada sobre um colchonete ao luar...
_ PORRA RINGO!



- Postado por: Penny às 09h19
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