Eclipse
"(...) and everything under the sun is in tune But the sun is eclipsed by the moon"
Pink Floyd é tão bom que chega dói! Mas ok, o eclipse de ontem era lunar, não solar. Eu, que sou pobre e desempregada, peguei meu colchonete e fui na laji lá de casa pra ver the dark side of the moon e lembrei do ladrão que me privou de escutar um dos meus discos favoritos nesse momento quando roubou meu mp3 semanas atrás. Também me arrependi amargamente de ter jogado fora em meu último surto de raiva, a luneta de pvc que fiz artesanalmente para observar a Lua quando adolescente. Aí lembrei-me do telescópio novo de um amigo, que não é pobre e nem está desempregado, e me desarrependi imediatamente com a certeza de que minha luneta não merecia mais que o lixo. Mas então comecei a observar um dos fenômenos astronômicos mais inspiradores para viagens mentais pensando em quantas fantasias ele já teria provocado nas pessoas até hoje. Como é assustadoramente tocante observar a Lua como se ela estivesse passando por todas as fases que normalmente demora 28 dias para passar (exatamente o mesmo tempo do ciclo feminino mensal) de uma só vez! É como observar uma mulher indo da sensação de plenitude à obscuridade da TPM e voltando à plenitude em um instante! A coroação do ciclo de vida-morte-vida que nos mostra que tudo é transitório, tanto a luz quanto a escuridão. Tudo isso me parecia claro ao presenciar esse fenômeno onde a Lua é lentamente encoberta por uma sombra, que é lentamente encoberta por um amontoado de pêlos fedorentos... _ PORRA RINGO! SAI! (som de tapa - cachorro voando) E à medida que isso acontecia, as estrelas se destacavam ainda mais na via láctea (sempre me perguntei se esse nome tinha algo a ver com leite...). Era como se pudesse ouvir o som das estrelas junto à todos os outros sons que me cercavam. Os morcegos voando, os grilos cantando, a brisa soprando suavemente, o cara desafinado cantando com um violão... tá, abstrai o cara desafinado... a brisa soprando suavemente, a respiração ofegante e molhada na minha orelha... _ PORRA RINGO! SAI! (som de tapa - cachorro voando) E no momento em que me dava conta de todos esses eventos, da imensidão de tudo o que nos cerca, tive um vislumbre da dimensão do Universo! Essa assustadora e incomensurável dimensão que faz com que todos os nossos questionamentos, problemas, enfim, toda a nossa vida, pareça insignificante. Mas ao mesmo tempo essa dimensão nos dá a sensação de sermos importantes por saber que fazemos parte de algo tão grandioso, magnífico, colossal e estupidamente gigante. Consegui sentir a força de fazer parte de tudo isso. A força de pertencer a algo que não se pode medir. Sentia essa força em meu corpo, agindo em mim. Sentia ela puxando meus cabelos e balançando-os freneticamente de um lado para o outro enquanto rosnava... _ PORRA RINGO! MEU CABELO NÃO! (som de tapa - cachorro voando) E essa força me preenchia, fazia eu perceber que não estou sozinha e que se minha existência está intrinsecamente ligada à existência do Universo, a existência do Universo também está intrinsecamente ligada à minha. Era quase uma sensação de onipotência. Sentia que sendo tão importante para algo da dimensão do Universo e o Universo sendo tão imensamente maior que todos os meus questionamentos e problemas, não existiam mais questionamentos ou problemas. Percebi que na verdade posso fazer o que quiser! Resolvi chamar isso de liberdade... ah... podia sentir o cheiro da liberdade... era forte como cheiro de urina quentinha recém-derramada sobre um colchonete ao luar... _ PORRA RINGO!
- Postado por: Penny às 09h19
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Sobre Planejamento Familiar
Desde que meu último husky cinza, de olhos castanhos como os meus, pura-raça, perfeitamente dentro dos padrões, lindo e grandão morreu, iniciou-se uma grande discussão na minha família sobre adotar ou não outro cão. Nessa discussão, eu defendia a idéia de que deveríamos comprar outro husky cinza, de olhos castanhos como os meus, pura-raça, e tudo mais. Já tinha até o nome: Link! Meu irmão, que por sua vez é obcecado por labradores, dizia que era a vez dele de ter um cachorro, já que sempre criamos huskys siberianos por minha causa. Ele insistia na idéia de um labrador preto que também já tinha até nome: Jack! Minha mãe e meu pai concordavam que não deveríamos ter outro cachorro pra dar trabalho, gastar dinheiro, morrer e deixar a família toda em depressão. Eles se uniram e ganharam democraticamente a disputa. Depois do incidente do assalto, e com o incrível encantamento dos olhos de Queridinha sobre minha mãe, eu e meu irmão percebemos que era o momento de retomar a discussão. Mas como somos pessoas muito unidas e espertas, continuamos brigando entre nós pra decidir qual seria nosso futuro cão: Link, o husky, só que agora de olhos azuis, como os meus; ou Jack, o labrador negão e grandão. A coisa ficou ainda mais complicada quando minha mãe resolveu entrar no meio exigindo que o cão fosse um basset, como a Queridinha, com olhos do Gato de Botas. Quem acabou ganhando com essa Torre de Babel familiar foi meu pai, que nunca quis um cachorro desde que o conheço. Nós decidimos democraticamente no final das contas que adiaríamos a adoção do cachorro por um tempo, pois como pessoas sensatas e responsáveis que somos, concordávamos com o fato de que adotar um cão tem muitas implicações éticas. Afinal, quando você adota um cão, está tomando a responsabilidade sobre a vida de um ser que vai ser totalmente dependente de você pelos próximos 13 anos! É uma decisão e tanto, que demanda planejamento, adequação do ambiente da casa pra receber o novo habitante, gastos regulares e responsabilidades diárias, que, com a vida atarefada e louca que levamos, não estávamos aptos a assumir. Ficamos resolvidos assim, democraticamente. Hoje, meu pai resolveu mostrar mais uma vez que é um homem ético, responsável, maduro, racional, sensato, coerente e, principalmente, que respeita decisões coletivas e se importa com a opinião dos outros: Apareceu em casa com um filhote de vira-lata, dizendo: _ Olha que legal que eu encontrei! O cachorro é um filhote dos mais esquisitos, com um pêlo mais esquisito ainda, filho de uma puta pooddle (ai, como eu odeio pooddles!!!) com um vira-lata. Tem as patas traseiras menores que as dianteiras e pra completar toda a bizarrice, a pessoa que deu o cachorro pro meu pai teve a brilhante e iluminada idéia de cortar o rabo do pobre animal! Que tipo de pessoa corta o rabo de um cachorro??? Não existe coisa mais estranha e anti-natural nesse mundo que um cachorro com o cotoco de rabo balançando! Cachorro sem rabo e namorado sem cabelo são coisas que, se eu controlasse o mundo, não existiriam! Mas enfim, o bixo é um estrupício. Percebendo minha reação frente à atitude ética, responsável, madura, racional, sensata e coerente que ele havia tomado (e principalmente) sem nos consultar, meu querido papai tentou amenizar minha ira dizendo que eu poderia escolher o nome do estrupício canino. Quem me conhece sabe que eu não tenho o dom de nomear as coisas, vide os cães que já passaram por esta casa: fundêcio, estrupício, etc. Pensando no bem do pobre animal, eu disse que não escolheria, mas meu pai mais uma vez mostrando ser ético, responsável e etc., insistiu dizendo: _ Pense em um nome que pareça com ele! Eu fechei os olhos e disse a mim mesma: "Pense em uma coisa feia..." e pude ver a imagem surgindo muito clara em minha mente: _ *Ringo Starr*! Tá aí meu novo irmãozinho:
 Eu queria tirar uma foto mais bacana, só que a última atitude ética responsável, madura, racional, sensata e coerente do meu pai foi estragar a bateria da câmera, então fotos novas só no sábado.
- Postado por: Penny às 18h19
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O Humor Líquido
Sobre a hilaridade dos laços humanos
Toda vez que leio um livro de sucesso fico com vontade de escrever uma paródia. O problema é que nunca sai da vontade, vide o "A Menina que Roubava Cardápios" que não saiu do título. Comecei a ler "O Amor Líquido" do Bauman achando que ia mudar a minha vida, que eu ia encontrar lá a Pergunta Fundamental sobre a Vida, o Universo e Tudo Mais do Douglas Adams, cuja resposta eu já sei de antemão ser 42. A sensação foi de "é... é isso aí...", mas nenhuma mudança de ponto de vista, só uma vontade de mudar de mundo no lugar da minha recorrente vontade de mudar de cidade. A pergunta fundamental tampouco estava lá. Ela já tinha sido feita há muito tempo: _ O que veio primeiro: o ovo ou a galinha? Brincadeira, não é essa. _ O que é mais importante: conhecer todas as coisas ou conhecer uma coisa só? A líquida resposta do homo líquidus se mostra obviamente uma escolha idiota pela fatídica obviedade da incapacidade e impossibilidade humana de conhecer todas as coisas. Mas a frustação nem é pelas coisas que não poderão ser conhecidas, e sim pelo cansaço de passar por todas as coisas que vamos conhecendo sem conseguir parar em lugar algum. Pergunto de novo: _ O que é mais importante: conhecer todas as coisas ou conhecer uma coisa só? _ 42?!? Anyway, acho que nem era essa a pergunta... Voltando à parte da hilaridade dos laços humanos, porque o livro sobre a fragilidade deles já foi escrito, o primeiro capítulo, descaradamente plagiado do livro do Bauman, vai se chamar "Apaixonar-se e Desapaixonar-se". Vai falar sobre como é ridículo o homo hilarius achar que morreria por alguém, que aquele é o amor da sua vida, até o momento seguinte, onde tudo isso desaparece e ele encontra outra pessoa pra passar por tudo aquilo novamente e trasformar todas essas histórias em piadinhas de blog. (Yeah! They may take our lives, but they'll never take our sense of humor!) Ainda quero saber a pergunta... será que... _ How many roads must a man walk down? (Bob Dylan, poeta yeah-bocejo-whatever...) _ 42. Pode ser... ainda falta muito pra 42ª estrada?
- Postado por: Penny às 14h37
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"it's just a flesh wound!"
Me disseram esses dias: _ Olha, Deus sacaneia muito com você! _ Nah! Que isso! Minha vida nunca foi sacaneada de verdade mesmo não! São só algumas piadinhas do destino com a minha cara, nada demais! Nesse momento, alguma força que controla o Universo, que possivelmente estava de TPM, deve ter ficado muitíssimo irritada achando que eu estava fazendo chacota das suas tentativas de sei lá o quê com a minha vida, tipo o Cavaleiro Negro do Monty Python dizendo "Nada, isso é só um arranhão!", mas enfim, a tal força num momento de fúria resolveu ligar o Gerador de Improbabilidade Infinita do outro lado da cidade só pra me mostrar o que ela entende por sacanagem: "Ah é, né guria? Então aguenta essa!!!" Contrariando todas as Leis do Universo, exceto as de Murphy, a última coisa que eu esperava e precisava que acontecesse nesse momento blá blá blá et voilà! Pois quer saber? Ainda é só um arranhão! Pode vir que eu vou dizer "NI!" pra você! Como já dizia Rocky Balboa: "But ain't about how hard you hit... It's about how hard... you can get hit, and keep moving forward..." (pensamento do dia, do poeta americano com sotaque italiano de gueto, Sylvester Stallone)
- Postado por: Penny às 20h46
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Você sabe que está em uma situação não esperada quando alguém chega à porta da sala, olha, arregala os olhos, espreme os olhos, sacode a cabeça, olha de novo, repete todo o procedimento mais uma vez, permanece estático com a boca aberta por cerca de um minuto e finalmente diz: "Eu quero mijar... posso passar por aqui pra ir ao banheiro ou vou ter que mijar pela janela?"
- Postado por: Penny às 17h00
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